Desabafo de uma Princesa em crise.
Era uma vez, em um reino muito, muito distante uma princesa chamada Dulce Maria, era a criança mais feliz do mundo. No dia seguinte ao seu aniversário de 13 anos, seu pai e seu irmão acabaram falecendo, desmoronando seu castelo, apelidado carinhosamente de alma, o centro de seu ser.
A princesa Dulce não conseguia se superar isso sozinha, buscou apoio na rainha Blanca, no príncipe do reino vizinho Christopher e na sua prima, a duquesa Anahí. Acreditava que essas pessoas eram os três alicerces de sua vida. Cresceu com eles, e seu reino prosperou mesmo com a ausência de seu pai e seu irmão. Todo mundo ajudava todo mundo.
Enquanto dançava a valsa em seu aniversário de quinze anos com o príncipe Christopher, escutou o que mais queria em todo mundo: “Eu te amo, princesinha”. Tudo que sonhava virava realidade, o amor batia em sua porta em um cavalo branco, despertando de vez todo seu sentimento mais oculto, e os que foram esquecidos com sua perda. Saiu de vez do seu mundo amargo e se direcionou por um caminho chamado amor, que a levava direto para o céu.
Mal sabia a princesa que o amor, era uma corda bamba, com um simples vacilo para um dos lados, você acaba caindo de uma altura impressionante. Quanto mais você anda na corda, mas é a queda. E sabe onde você para? No inferno. Aí você pergunta, o que isso tem haver com a princesa Dulce? Simplesmente tudo.
Seu inferno começou no exato momento quando encontrou o príncipe Christopher na cama com outra, se desenvolveu quando descobriu que era a duquesa Anahí e a dominou por completo ao perceber que era aquilo mesmo que pensava, e não a famosa frase dita pelos dois. O eu posso explicar deles ficou no ar, não conseguia mais ficar naquele ambiente.
Saiu correndo sem rumo aparente, mas seu subconsciente tinha um lugar exato para levá-la. Parou em frente ao imenso e obscuro portão, fez força e conseguiu abri-lo, começou a andar e se ajoelhou onde sentia a paz em seu interior. A lápide de sua família.
“Porque vocês me deixaram? Tudo seria mais fácil com vocês aqui. Ainda lembro de quando sentávamos em volta da lareira, como se fôssemos uma família comum, quando eu e o Poncho perturbávamos você e a mamãe. A ceia secreta de Natal, o amigo oculto, a festa da virada de ano. Lembro como se fosse ontem quando caí e quebrei a perna, podia ver o desespero nos olhos dos dois. Naquele tempo sim eu me sentia verdadeiramente protegida, não existia a falsidade de hoje em dia, nossa família ainda era feliz, eu ainda era feliz. Sinceramente, não tenho mais motivos para estar aqui. Sabe papai, acho que vou seguir aquele conselho que o senhor me deu, fazer minha faculdade nos Estados Unidos, e não Poncho, eu não vou fazer obrigada, eu realmente preciso disso. Ocupar minha cabeça com coisa que me faça bem, e conto muito com a ajuda de vocês.”
Nesse exato momento um vento passa diante do rosto da princesa, como se fosse a tão esperada aprovação dos dois, beijou os túmulos e se levantou. Quando saísse daquele jazido, um lugar que as pessoas associariam a morte, seria exatamente quando renasceria para a vida.
Tomou fôlego e cruzou o portão, decidida a se esquecer de todos os que a fizesse mal.
Nenhum comentário:
Postar um comentário